FEBRE, uma aliada

A febre não é doença. É um dos mecanismos de defesa do nosso corpo

A febre é mais comum em crianças


A febre é uma reação do corpo contra patógenos. A sensação ruim que sente a pessoa febril faz com que ela poupe energia e descanse. As crianças são mais afetadas pela febre porque, para o organismo delas, praticamente todos os vírus e bactérias são desconhecidos. Então, quando esses micro-organismos invadem o corpo, ele logo produz a prostaglandina, responsável pela termorregulação.


A febre ativa o nosso sistema imunológico e ajuda o organismo a combater infecções. Febres que variam entre 37,8 e 40 graus são, de fato, benéficas tanto para adultos quanto para as crianças

Existe um mito sobre o fato de uma febre acima de 40 graus ser perigosa a ponto de causar lesão cerebral. Sabe-se que uma lesão ocorrerá se somente se a temperatura atinge 42 graus. Esta temperatura não é atingida em doenças infecciosas. Somente em situações onde a temperatura ambiente seja extremamente elevada é que uma criança pode chegar a 42 graus (como por exemplo, quando esquecida dentro de um carro fechado em dia quente ou acidentalmente fica fechada em uma sauna).

Também existe o medo dos pais em relação à criança com febre alta ter uma convulsão febril. Apenas 4% das crianças apresentam convulsões febris e a criança que tem esse fator de risco, poderá ter a convulsão com temperaturas abaixo dos 40o. De qualquer modo, as convulsões cessam em até 5 minutos e não produzem dano permanente algum à criança. Crianças que tiveram convulsão febril não apresentam risco maior de atraso no seu desenvolvimento ou aprendizado, nem de apresentarem convulsões sem febre.
 
O cérebro possui um termostato que regula a temperatura. Raramente a febre ultrapassa 40 graus. Ocasionalmente pode chegar a 40-41 graus e, apesar de ser considerada uma febre alta, ainda é inofensiva. A febre pode, ainda, descer e depois subir novamente.


Quando medicada, a febre baixa entre 1 e 1,5 grau. Não baixar completamente não tem nenhum significado clínico. Não quer dizer que é uma situação mais grave. A febre sinaliza que algo está acontecendo e merece nossa atenção, mas não há necessidade de pânico.

A maioria das febres em crianças é produzida por uma infecção viral que dura entre 4 e 7 dias, enquanto persistir a infecção, a febre vai e volta. A febre somente desaparecerá, por completo, quando o próprio organismo conseguir combater a infecção.

Mais importante do que a temperatura é o aspecto da criança que indica a gravidade da doença.

Portanto, a febre é uma aliada, uma defesa do nosso corpo. É nosso sistema imunológico combatendo agressores!

Algumas causas da febre:
Entre as causas da febre, é importante destacar as infecções por vírus, bactérias, fungos e parasitas e as não infecciosas, como as doenças do sistema nervoso central (hemorragias, traumatismos, tumores cerebrais), as neoplásicas (câncer de fígado, rins, intestinos, linfomas, leucemia), as cardiovasculares (infarto, tromboflebite, embolia pulmonar), hipertireoidismo, alguns tipos de hepatite e de doenças reumáticas.


Antibióticos e seus efeitos colaterais

Antibióticos podem trazer efeitos colaterais piores do que a doença que combatem e seu uso inadequado pode trazer reações severas na saúde


Antibióticos são medicamentos importantes, que restabelecem a saúde e salvam vidas. Mas como qualquer remédio, eles podem causar efeitos colaterais indesejados e extremamente sérios, alguns dos quais podem surgir somente bem depois do tratamento.

Esse é o caso de uma importante classe de antibióticos conhecidos como fluoroquinolonas. Os mais conhecidos são o Cipro (ciprofloxacina), o Levaquin (levofloxacina) e o Avelox (moxifloxacina).

Em 2010, o Levaquin era o antibiótico mais vendido dos Estados Unidos. Mas, no ano passado, ele também foi alvo de mais de 2.000 processos de pacientes que sofreram reações severas após se submeterem ao tratamento.

Parte do problema ocorre pelo fato de que as fluroquinolonas são prescritas de forma inapropriada: São prescritos com frequência para combater sinusites, bronquites, e outras doenças que poderiam sarar sozinhas, ou que poderiam ser tratadas com medicamentos menos potentes. Ou ainda, são prescritos para doenças que são causadas por vírus, e que não são suscetíveis aos antibióticos.

Mahyar Etminan, epidemiologista farmacológico da Universidade de Columbia Britânica, afirmou que os medicamentos eram utilizados em excesso "por médicos preguiçosos que querem matar moscas com submetralhadoras".

Lloyd Balch, de 33 anos, gestor de websites no City College de Nova York, afirmou que estava saudável até o dia 20 de abril, quando uma febre seguida de tosse o levou ao médico. O médico não ouviu nada de estranho pelo estetoscópio mas, ainda assim, receitou Levaquin após um exame de raios-X do peito que indicou uma pequena pneumonia. O paciente já havia escutado sobre os problemas com o Levaquin e perguntou ao médico se havia a possibilidade de tomar outro antibiótico, mas foi informado de que o Levaquin seria o medicamento recomendado.

Depois de apenas uma dose, ele passou a sentir dor e fraqueza generalizada. Ele ligou para o laboratório e comunicou a reação adversa, mas foi informado de que deveria continuar com a próxima dose. Mas a pílula seguinte quase o "virou do avesso", causando dores em todas as juntas e problemas de visão.

Efeitos colaterais

Além de não conseguir subir ladeiras e escadas, nem ver com clareza, os sintomas incluíam olhos, boca e pele ressecados; zumbidos nos ouvidos; uma tremedeira incontrolável; queimação nos olhos e pés; palpitações; espasmos musculares nas costas e em torno dos olhos.

Durante uma consulta com o Dr. David Flockhart, especialista nos efeitos colaterais da fluoroquinolonas na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, Balch foi informado de que poderia demorar um ano até que os sintomas diminuíssem, e que não há garantias de que eles desapareceriam por completo.


Reações adversas a fluoroquinolonas podem ocorrer em quase qualquer parte do corpo. Além dos ocasionais efeitos colaterais nos sistemas renal, visual e musculoesquelético, em raras ocasiões o medicamento pode causar danos graves ao sistema nervoso central (causando confusão mental, depressão, alucinações e reações psicóticas), ao coração, fígado e pele (machucados dolorosos e que deixam cicatrizes), ao sistema gastrointestinal, à audição e ao metabolismo do açúcar no sangue. Também existe uma relação com a tendinite e o rompimento de tendões, além da capacidade do medicamento de bloquear atividades neuromusculares.


Faltam estudos de longo prazo a respeito dos efeitos colaterais destes medicamentos.


Especialistas alertam contra a prescrição desse tipo de medicamento a pacientes com riscos de reações adversas maiores que a média – crianças com menos de 18 anos, adultos maiores de 60, grávidas e lactantes – a menos que não existam alternativas viáveis. O risco de reações adversas também é mais alto entre pessoas com problemas renais e pessoas que tomam corticoides ou medicamentos anti-inflamatórios não esteroides.

Quando o antibiótico é corretamente prescrito, é fundamental utilizá-lo exatamente como indicado pelo médico, nunca parando o tratamento a partir do momento que o paciente se sente melhor.

(Jane E. Brody para o The New York Times)